Você, amigo leitor que acompanha o Dead Fish há algum tempo deve lembrar daquela fase em que a banda tomava pedrada de tudo quanto é lado por ter assinado com a Deckdisc. Era chamada de vendida, traidora, hipócrita, feia, boba, cara de melão, entre outras coisas. Por essa fase "obscura" sempre se teve o receio de que a banda fosse perder fãs, cair num fosso profundo, e etc. Mas a verdade é que depois de 6 anos os fatos acabam provando que o Dead Fish não mudou em nada, visto que se tivessem realmente nos traído, nada explicaria o fato da banda ter provavelmente os fãs mais fiéis do hardcore brasileiro.
A religiosidade dos fãs da banda impressiona. Sempre que os capixabas tocam na cidade o público comparece exatamente da mesma forma, em bom número, não importando quando e até mesmo quanto. Sem falar no aspecto familiar que os shows da banda têm por sempre contarem com a presença dos mesmos fiéis e numerosos fãs. O que, resumindo, quer dizer que eu não preciso dizer lá muita coisa sobre a presença de mais um bom público no show dessa sexta no Circo Voador.
A noite começou com o Gigante Animal (SP), mas como eu, infelizmente, tenho sido um péssimo "resenhista" acabei chegando atrasado mais uma vez e acabei não vendo a banda de abertura, já que estava em um outro show, na Rebel. E, sim, eu sei que você leitor deve estar pensando: "Porra! Quer resenhar, resenha direito!" Mas eu também sei que na verdade a maioria está aqui mesmo é pelo Dead Fish. Portanto vamos lá!
Por volta das 00h começava o que seria pra muitos (inclusive pra mim) o melhor show do Dead Fish no Rio de Janeiro dos últimos 5 anos no mínimo! Eu sei que essa frase aleatória no meio do texto acaba soando estranha; que eu deveria ter dado esse tipo de ênfase no inicio do texto, pois assim manda a cartilha. Mas é simples, amigo. É que assim como no texto, foi só no meio do show, também estranhamente, que percebi isso.
Ainda é estranho, né? Então lê de novo: O Dead Fish fez na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, o melhor show dos últimos 5 anos no mínimo!

Autonomia abriu a set list do que pode ser considerado a definição correta de um show de hardcore: Respeito, amizade, paz, cooperatividade, diversão e tudo de bom à que se tem direito. Depois de anos dessa religiosidade nos shows do Dead Fish (8ª vez que escrevo o nome da banda) um show sem brigas, sem fraturas, com pouquíssimos stage divings com os pés pra baixo, com pouquíssimas macaquices no palco - lembrando que desde que a banda queira a pessoa em cima do palco por mais tempo que o normal de um stage está tudo bem em se estender lá em cima, como foi o caso de Descartáveis em que uma adorável senhorita mandou seu recado (que ninguém entendeu, tadinha).
O destaque do, mais do que nunca, memorável show deveria ter sido o fato de terem tocado músicas como Molotov, Modificar, Fora do Mapa, Um Homem Só e Iceberg que raramente são tocadas, e quando eu falo deveria, é porque deveria mesmo! Lembrar que o que aconteceu enquanto tocavam essas músicas acabou virando um detalhe quando comparado com o momento quase unânime (unanimidade é burra) do Circle Pit em Sonho Médio deixa qualquer um com certeza de que o show não foi qualquer coisa.
Dessa vez, não tenho histórias de pessoas que roubaram protetores auriculares, que tomaram cuecão, que quebraram a perna, que tiraram foto com alguém em cima do palco no meio do show, nem nada. Apenas fraturas felizes, finalmente! A única infelicidade foi o doloroso fim do show, que ao som de Venceremos trouxe também consigo a alegria de saber que tudo acabou bem, depois de tanto tempo.
E não sai da minha cabeça a voz de um amigo me perguntando algumas vezes: "Quando vai começar de verdade o show do Dead Fish?" de tão surpreendente que foi o show.
Mas a verdade é que esse sim foi um autêntico show do Dead Fish.
Abraços!